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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Do "Deus-Lua" a "Deux"

Do "Deus-Lua" a "Deux"
Jocax, Fev de 2009


Resumo: Este pequeno ensaio procura traçar a evolução das crenças religiosas através do tempo em função da evolução cultural e mental.

Palavras Chaves: Deuses, Crenças, Religiões, Evolução cultural, medo da morte, meta humana, objetivo final, Deux.


Introdução

Se formos estudar a história da humanidade e suas crenças religiosas, perceberemos alguma evolução.

A evolução da crença humana é produto do seu desenvolvimento intelectual, do crescimento de seu cérebro e de sua inteligência lógica.

Inicialmente, o "homem", como ancestral de primitivos hominídeos, não deveriam ter crenças em absoluto, assim como,imagina-se, uma barata também não tenha crenças.

Posteriormente, com a evolução do cérebro humano, o homem começa a perguntar sobre as origens das coisas e a “antropomorfizar” os elementos da natureza, transformando-os em deuses: “Deus-Sol”, “Deus-Lua”, “Deus-Trovão” etc..

O desenvolvimento da religiosidade, claro, também está fortemente atrelado a cultura em que o homem esta imerso. Mesmo em pleno século XXI, por exemplo, existem tribos indígenas [1] que ainda acreditam nos mesmos deuses que seus antepassados de milhares de anos antes deles, pois, por serem povos culturalmente isolados, não sofreram influencia cultural de outras civilizações.

Deuses Metafísicos

Com a evolução da ciência, e a descoberta dos processos físicos que explicam os principais fenômenos da natureza, os “deuses-naturais” perderam a força, e foram cedendo lugar para os deuses metafísicos.

Deuses metafísicos teriam poder de controlar os elementos naturais, mas já não seriam, eles próprios, tais elementos nem residiriam no plano físico. Estas crenças tiveram seu apogeu na civilização grega, onde dezenas de deuses habitavam o Olimpo- a morada dos deuses.

Contudo, devido ao efeito Flynn [2] – que constata que a inteligência humana sobe cerca de 20 pontos por geração- ficava cada vez mais evidente a não necessidade e a irrelevância da antropoformização dos deuses: Por que deuses precisariam ter moradia e outros elementos tão humanos?

Assim, substituindo a grande família de deuses, surgiram as religiões monoteístas com seu único deus. Agora, as principais religiões do mundo são monoteístas, como, entre outras, as religiões cristãs, muçulmanas, judaicas etc. Entretanto, novamente, com o avanço da ciência e do QI médio da população, tais credos estão ficando cada vez mais incompatíveis com os fatos científicos, pois as escrituras sagradas que lhes doa a base são postas à prova a cada avanço feito pela ciência. O crente fica cada vez mais espremido entre seus textos sagrados, por um lado, e os fatos científicos, por outro. Muitos, para defenderem suas crenças, começam a se alienar, a se afastarem dos assuntos científicos para não por, mais uma vez, suas necessidades espirituais em confronto com a ciência. Tal afastamento da ciência também produz uma espécie de dicotomia cultural aonde “tribos” de crentes vão se formando.

Não é por outra razão que pessoas com um pouco mais de inteligência e/ou cultura cientifica, tendem a buscar alguma segurança para suas necessidades espirituais em doutrinas que dizem ter algum respaldo na ciência. Este é o caso das religiões que alegam possuir algum respaldo científico como, por exemplo, o Espiritismo, a Cientologia, o Kardecismo, entre outras.

Mas a evolução cultural e o “efeito flynn” não cruzaram os braços. Embora ainda se encontre pessoas que acreditam desde a “Deus-Lua” até o “deus-espírito”, a tendência, no médio prazo, é uma migração destas crenças no sentido de se obter algum "respaldo" cientifico. Mesmo que tal "respaldo" não passe de um embuste e uma deturpação da ciência materialista para propósitos escusos, como os de encobrir o medo da morte e o terrível “nada” que lhe sucede.

Florescimento do Ateísmo

Dentro deste fervilhante ambiente evolutivo cultural, biológico e memético, o ateísmo floresceu. No ateísmo, pelo menos, não há escrituras sagradas que desafiam a ciência, nem existem contradições lógicas. Por outro lado, também não há nada a oferecer em relação à necessidade humana de esperança à morte. Creio que por esta razão o ateísmo não cresce a uma taxa ainda mais alta. A maioria dos ateus são pessoas que simplesmente não conseguem se enganar com a imortalidade de uma "alma eterna", sendo que não há evidências nem razão lógica para sua existência. Para muitos, ser ateu é mais uma questão de não conseguir crer do que de não se querer crer.

Órfãos da "Matrix Religiosa" os ateus sobrevivem num mundo real e sem muita esperança, embora orgulhosos de estarem em paz com sua consciência por saberem que, ao menos, estão sendo honestos consigo mesmos.

Entretanto, os ateus “puros”, isto é, os que não mesclam ateísmo com alguma outra ideologia ou filosofia de vida, podem ser comparados, de certa forma, como “cães desgarrados”: uma vida sem uma ideologia é como uma vida “animal” vive-se pelo prazer e pela felicidade, ao sabor dos ventos, sem um guia de vida ou um objetivo “maior” a seguir. Contudo acredito que a maioria acaba se engajando em algum tipo de ideologia ou movimento político como - e principalmente - movimentos ambientalistas em defesa da natureza ou da vida. Embora não haja nada de errado em não se ter ideologias ou algum objetivo “maior” além de viver a sua própria vida, acredito que as pessoas são mais felizes quando possuem uma meta além da de suas próprias vidas.

Ideologias Atéias

Um pouco mais além do ateísmo temos algumas outras doutrinas sem deus como o genismo e, talvez, o budismo. No genismo, por exemplo, tem-se alguma sobrevida após a morte. Já que, se a vida não se extinguir em nosso planeta, nossos genes ainda permanecerão nos seres vivos, principalmente nos mais aparentados conosco. Assim, os genes existem e, pelo genismo, a morte de nossos corpos ainda não é o nosso fim. Nesse caso há uma sobrevida e um pouco mais de esperança. Além disso, a biologia evolutiva e a psicologia evolucionista são compatíveis com esta doutrina já que ambas estão centradas na preservação genética e não na preservação do fenótipo, ou mesmo da consciência.

Deux

Entretanto, o genismo é algo localizado, restrito à vida, e universalmente pouco abrangente. Sociedades de robôs, autômatos e computadores, por exemplo, poderão ter uma consciência avançada e não possuírem genes. Como poderia ser uma ideologia universal, maior, mais abrangente e ainda ser uma meta de todos os seres sencientes?

Esta noção de uma ideologia abrangente deveria ser pautada pela maximização da felicidade universal. Esta ideologia já existe, e é conhecida como “Projeto Felicitax” [3].

Nesse projeto, nosso próprio prazer e felicidade deixam de ser importante frente a uma meta de felicidade de bilhões de bilhões de vezes superior à nossa.

Para tanto o projeto Felicitax propõe a construção de Deux. Deux seria um ser, ou vários seres interconectados, cujo objetivo primordial é maximizar a felicidade do universo.

Para isso Deux poderia tentar maximizar sua própria felicidade se auto-evoluindo num ritmo exponencial. Todos os recursos seriam utilizados nessa maximização que, para isso, necessitaria também do máximo conhecimento já que a própria evolução seria feita com base no conhecimento por Ele adquirido.

Deux poderia ser criado por uma sucessão de clones biológicos cada vez mais aprimorados ou através de sistemas de computadores que se auto-construiriam. De qualquer forma, o objetivo seria a felicidade máxima do universo. Não há a necessidade de estarmos fisicamente lá, junto a Deux. Da mesma forma que sentimos satisfação e alegria por nossos filhos estarem bem e em segurança, mesmo que estejamos passando necessidades, poderemos, da mesma forma, sentir alguma felicidade se soubermos que Deux vai ser construído e tornar-se real. É possível que Ele já esteja “vivo” em alguma civilização extraterrena e assim um dia poderá vir aqui sugar todos os nossos recursos para incorporar na felicidade universal que Ele patrocina: ó glória!


Referências

[1] Vida e Cultura Ashaninka do Alto Juruá na Amazônia
http://www.arara.fr/BBTRIBOASHANINKA.html

[2] Efeito Flynn
http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/6498

[3] Projeto Felicitax e a construção de Deux
http://stoa.usp.br/mod/forum/forum_view_thread.php?post=42442

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