Filosofia ateísta baseada no neodarwinismo. ( Site do Genismo: http://www.genismo.com )

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terça-feira, 23 de março de 2010

Controle de Natalidade e o Genismo

V.4- Controle de Natalidade

"-Aqueles... aqueles... inconseqüentes!" (Comentário burguês).

Tenho certeza de que ninguém gosta de ver crianças sofrerem, nem saber que estão em estado de penúria. Muito menos seus pais. Muitas vezes seus filhos são seus únicos valores, as únicas coisas que têm, que valorizam e amam.

Grande parte da população é muito pobre. Entre estes, o grau de sofrimento pode variar bastante, muitos morrem por falta de medicamentos, outros por desnutrição ou doenças decorrentes dela. Os que não morrem chegam a passar frio, fome e muitas outras agruras em grande parte de suas vidas. E o grau de sofrimento nem sempre fica apenas nos aspectos físicos. Há também a dor de saber que seus filhos vêem pela “TV” do vizinho, pelo rádio ou pelos outdores das ruas, que existem lindas bonecas 'barbies', deliciosos sanduíches 'McDonalds', provavelmente jamais poderão experimentá-los....

Se perguntássemos a estes verdadeiros sobreviventes: "Valeu a pena ter nascido?" Eu duvido que mais que alguns poucos responderiam negativamente. Mesmo que suas vidas tenham sido e continuem sendo muito sofridas, muitas vezes o próprio prazer de viver, de existir e de pertencer a este momento único de poder presenciar o universo, supera o sofrimento.

Então, será que estamos habilitados a julgar seus pais por tê-los deixado nascer? Será que nossos "padrões burgueses" de comparação de qualidade de vida são justos e satisfatórios para condená-los à não existência?

O que eu quero ressaltar é que nem sempre nosso próprio critério subjetivo de felicidade mínima, o grau mínimo de felicidade que alguém deveria ter para 'merecer' viver é, de fato, adequado para fazer este tipo de julgamento. Das alturas de nossa prepotência, ainda ousamos perguntar: “Será que seria melhor para eles não terem existido?”

Talvez estes nossos parâmetros sejam frutos de nosso próprio egoísmo: o egoísmo de não querer o nosso próprio sofrer por ver a vida difícil dos outros, ou deixar à mostra a nossa culpabilidade e egoísmo pela má distribuição de renda que, de um modo ou de outro, gera esta extrema desigualdade e põe a nu nossa responsabilidade por mantê-la.

Medidas paliativas

Entretanto, se tivéssemos parâmetros menos subjetivos, por exemplo, os critérios baseados na MEC, que avaliassem de forma objetiva o grau de felicidade, nós poderíamos construir um índice do que seria o mínimo necessário de felicidade, o que uma criança deveria ter. Este índice deveria levar em conta as condições de renda média da população local, já que o desnível, a desigualdade sócio-econômica, também é fator gerador de sofrimento.

Evitar que crianças nasçam sem perspectiva de um nível mínimo de dignidade é um problema que esbarra em interesses políticos, religiosos e culturais. Mesmo com uma boa redistribuição de renda, o problema do excesso populacional permanecerá. Entretanto, enquanto o problema não afetar diretamente toda sociedade – e veremos que, cedo ou tarde, isto vai ocorrer -, mas estiver restrito a pequenos bolsões localizados, o estado deveria conter o crescimento da pobreza oferecendo anticoncepcionais gratuitamente em postos de saúde, alertar os jovens sobre seu uso, promover a esterilização gratuita para casais que não queiram mais filhos etc. São medidas louváveis e deveriam continuar a ser oferecidas, pois se as crianças já sofrem por estarem nascendo em más condições, o que então lhes aguardaria se não fossem, ao menos, desejadas e amadas por seus pais?! Sem o amor de seus pais, suas vidas, com certeza, piorariam bastante. Por isso o estado deveria somar a estas medidas também o aborto gratuito a qualquer mulher que desejasse fazê-lo.

Contudo, na medida em que o problema populacional for se agravando, os recursos escasseando, e a pobreza aumentando, afetando toda a sociedade, e isso independentemente do regime político desta sociedade, o estado deveria, primeiramente, patrocinar políticas que promovessem a baixa fecundidade da população através de medidas de caráter facultativo, entre outras : distribuição gratuita de anticoncepcionais, esterilizações gratuitas, abortos gratuitos ou pagos pelo estado, prêmios anuais em dinheiro a casais que não quiserem ter filhos etc. Entretanto, quaisquer que sejam as medidas de caráter facultativo que sejam oferecidos, a teoria da evolução prova que não surtirão efeito por muito tempo: os sobreviventes, os que conseguirem nascer, apesar de toda propaganda e incentivo contra - mesmo não sendo genistas - reclamarão seus direitos aos filhos. A seleção natural os moldará para que assim o seja: sobreviverão apenas os descendentes dos que realmente desejam ter filhos que, por sua vez, também tenderão a herdar estas características.

Falácia Malthusiana?

Muitos podem perguntar, ou mesmo afirmar, que tais medidas restritivas, na verdade, não serão necessárias uma vez que a tecnologia avança no sentido de promover alimentação cada vez mais barata com cada vez menos recursos. Ou seja, que a história está provando que o dilema malthusiano é falacioso. Thomas Malthus [1766-1834] afirmava que a população tenderia ao colapso alimentar porque, embora a produção de alimentos crescesse numa progressão aritmética, a população cresceria numa progressão geométrica (muito mais rápida). Então, por que as previsões malthusianas nunca se cumpriram e temos cada vez mais, em vários países, produções recordes de alimentos? Acredito que a resposta esteja concentrada em três principais fatores:

1- A tecnologia alimentar realmente teve, e está tendo, um crescimento rápido, principalmente agora com a tecnologia transgênica.

2- O advento dos modernos contraceptivos orais que impediram o crescimento populacional numa taxa muito rápida.

3- E, o último, é a infecção massiva pelo vm2f, o “vírus-meme-dos-2-filhos” que, aliados ao segundo fator, faz com que, em algumas regiões do globo (os países europeus), haja até mesmo uma redução populacional.

Mas, apesar disso, a população do planeta continua a crescer e, além disso, estes fatores estarão, no médio prazo, sem força de atuação sobre a humanidade, por isso o controle populacional deverá, infelizmente, ser mais severo. Explico por quê:

As principais fontes de energia que temos atualmente, e que são utilizadas para a produção alimentar e para o nosso conforto, são não renováveis: petróleo, carvão, gás e urânio. Isso significa que um dia, com certeza, elas irão se esgotar e não poderemos repô-las. Além disso, o Sol fornece energia a uma taxa constante. Não podemos retirar mais energia dele do que ele pode fornecer diariamente, que está limitado pela área de luz que a Terra recebe. A única chance de que possamos sair desta 'camisa de força' energética seria o desenvolvimento de reatores de fusão que utilizariam água como matéria prima para produção de energia. Mas, por enquanto, e apesar de décadas de estudo e protótipos vários, tais reatores ainda estão em fase pré-embrionária.

O fator água, elemento essencial à vida, é outra parcela importante da limitação ao crescimento populacional. Prevê-se que a água doce será, no médio prazo, o principal fator da restrição populacional e, por isso, uma das maiores riquezas que um país pode ter. A Amazônia, se não me engano, detém quase 8% das reservas mundiais de água doce. Esta é outra razão porque é tão cobiçada. A dessalinização da água do mar requer uma quantidade de energia muito grande por litro produzido e, por isso, o processo seria barrado pela falta de energia que também nos espreita no futuro.

O fator territorial talvez seja o menos importante, embora também seja um fator limitante, principalmente para países que não têm recursos para construir hiper-arranha-céus ou tecnologia para expansão pelo mar.

A produção alimentar, então, deverá ser barrada por qualquer um dos três fatores acima já que todos são elementos necessários para produção de alimentos: energia, água e território. Os dois outros fatores que impediram a implosão malthusiana no passado: os modernos contraceptivos orais associados ao meme-vírus vm2f tenderão naturalmente, a médio ou longo prazo, a ter menos influência nas sociedades humanas, pois a tendência é que os sobreviventes e seus descendentes deixem de sensibilizar-se a eles.

"Vale Meio Filho"

Então, tudo leva a crer que o controle de natalidade, infelizmente, virá para ficar. O Jardim do Éden Procriativo que vivemos atualmente (a possibilidade de escolhermos quantos filhos teremos) – a maior riqueza que ainda temos, e que praticamente ninguém percebeu -, infelizmente, está com os dias contados.

Neste caso, a pergunta importante é: como fazê-lo?

A resposta a esta pergunta é muito importante, pois a política adotada vai definir não só o ritmo, mas também a direção que a evolução humana pode tomar.

A meta de uma política de controle de natalidade é impedir que a taxa de natalidade ultrapasse um determinado valor. Cálculos teóricos estimam que a taxa média de natalidade de reposição, isto é, a taxa que manteria a população estável, é de 2,1 filhos por casal. Menos que isso, a população tenderia a diminuir, e mais do que isso, a aumentar. A meu ver, o principal dilema ético de uma política de controle de natalidade pode ser feito em uma pergunta:

Todos deveriam ter o mesmo direito de procriar e de ter o mesmo número de filhos?

Vamos supor que continue havendo um certo grau de capitalismo na sociedade. Então, seria justo, uma família abaixo da linha de pobreza, como muitas que já existem hoje, tenham seus dois filhos - número máximo permitido pelo estado - em um alto grau de penúria, fome e todo tipo de privação, enquanto uma outra família, por exemplo, mais abastada, poderia oferecer muito mais a uma nova vida? Por outro lado, também não seria injusto que, simplesmente por serem pobres, não tivessem direito a ter também seus filhos que lhes traria felicidade e alegria? Como poderíamos resolver estas situações éticas complexas de modo que houvesse flexibilidade e liberdade sem, contudo, pôr em risco a política de restrição da natalidade?

Minha proposta para o controle de natalidade futuro é o “Vale-Meio-Filho” (VMF). O "Vale Meio Filho" seria um direito, para cada pessoa que nascesse, poder ter dois filhos. Assim, cada pessoa que nascesse ganharia de seus pais, junto com sua certidão de nascimento, duas certidões de permissão de filhos (as mesmas que seus pais utilizaram para conceber), dois "VMF". O VMF seria, basicamente, um número controlado pelo Estado da mesma forma que nossos números de CPF ou RG o são. Quando um casal quisesse ter um filho, ele necessitaria de duas destas permissões (2 VMF), normalmente uma do pai e outra da mãe (ou os dois do pai, ou os dois da mãe) e, com estes VMF's teriam a permissão de ter este filho. O filho herdaria então esses mesmos 2 VMF's que foram utilizados para concebê-lo. Como cada casal dispõe no total de quatro VMF (dois do pai e dois da mãe), e cada filho necessita de 2 VMF's, então cada casal poderia ter um total de dois filhos, mantendo a população constante.

Até uma determinada idade, por exemplo a maioridade legal, os VMF's não poderiam ser transferidos, doados ou vendidos, salvo em situações especiais previstas em lei. A partir da maioridade, contudo, os detentores dos VMF's, teriam a liberdade para doar, vender, ou comercializar, como bem entendessem, apenas um de seus dois VMF's. O outro VMF também estaria disponibilizado para transferência, doação ou comércio, a partir de uma idade ainda mais avançada, como por exemplo, ao se chegar aos 35 anos.

Os VMF's de detentores que viessem a falecer seriam transferidos de volta aos seus pais e, na falta destes, ao Estado, que deveria premiar com estes VMF’s as personalidades que mais se destacassem por contribuições à Ciência, à Paz ou, de modo geral, à felicidade da humanidade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

The Philosophical Uncertainty Principle

The Philosophical Uncertainty Principle (PUP)
Joao Carlos Holland de Barcellos, November, 2008
translated by Debora Policastro

Summary: We will establish a philosophical scientific principle similar to Heisenberg’s uncertainty principle, but more comprehensive.

Key Words: Philosophy, Uncertainty, PUP, Philosophical Uncertainty Principle.

Quantum mechanics, a branch of Physics that study the micro cosmos, has a fundamental principle known as “Uncertainty Principle”. This principle, discovered by Heisenberg, establishes the physical impossibility of knowing (or measuring), simultaneously, the position and speed of a particle with a precision larger than a given constant [1]. This imprecision is considered to be a fundamental law in quantum mechanics, and such uncertainty does not depend on any technology, it is considered to be an attribute of the universe.

Since the advent of the “Expanded Science” [2], we know it is impossible to refute a theory as Popper thought. Everything indicated a more comprehensive and less uncertain view of the universe. Such uncertainty must comprehend our observations. Based on these conclusions, I shall propose a principle, which I called “Philosophical Uncertainty Principle”, or PUP.

The PUP establishes that:

It is impossible to know if some observation, measure or perception corresponds in fact to reality”.

We can take reality as something that exists regardless of any interpretation, processing or imagination.

Many should probably have already had this idea, but have not formalized it yet because, since the advent of the concept of “Solipsism” [3], we know it is impossible to prove that anything can be in fact reality. And worse than that, even the Solipsism itself can be an illusion, since the “I” that realizes can also be unreal, as shown in “The Existence Theorem (I think, therefore it exists)” [4]. That is, it is possible that the “being” itself that observes thinks and feels, does not exist in another level of interpretation.

Besides that, and more important, even if we assumed our reality as real, that is, it exists regardless of any interpretation of a higher level as it is supposed by science, we would still have problems: even so we could not take any observation as real. In order to understand that, we must steal the “shoe box” example from the essay “Expanded Science” [2]:

Suppose we are walking on the street and we observe a shoe box with a brick inside. Can we infer from our observation that what we saw was a shoe box with a brick inside? Unfortunately the answer is no. In principle, one of the following situations can occur – from infinite possible ones – when we observe a brick that is not a brick: It was the volume of a radio imitating a brick.

* It was something similar to a brick, but not a brick.
* A momentary cerebral short-circuit made you imagine a brick inside an empty box.
* A new alpha-waves gun was tested on you so you could imagine the brick.
* Someone created a holographic image of the brick so you would think it was real.
* Etc

Such mistakes, although improbable, can happen in any level of observation, be it scientific or not. And that justifies PUP as a fundamental philosophic-scientific principle about the limit of knowledge.


Portuguese Version: http://www.genismo.com/logicatexto31.htm

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

The Jocaxian Little Blue Devil

The Jocaxian Little Blue Devil
João Carlos Holland de Barcellos
translated by Debora Policastro

In my many years of atheism, since I was about 12, I could gather many arguments against God’s existence. Some refer to the Catholic God, which has very well-defined features, some to gods who have a more blurred definition, therefore harder to be logically analyzed. Anyway, in almost every case, God has always the characteristic of, at least, being the creator of the universe and being endowed with awareness and intelligence.

Among the arguments I gathered, the most recent and what I consider to be the most stunning one because it is extremely simple and yet devastating, is the “Jocaxian Little Blue Devil”. Below, you will see the summaries of the main anti-God arguments and evidence, starting with the one that entitles this text. (The names in brackets '[]' next to each argument are the names of the probable authors of the original idea or the person from whom I got to know the idea).
1 - Argument: "The Jocaxian Little Blue Devil” [Jocax]

It is said that God is an entity necessary to answer the question:

"How did the universe begin?"

If we answer with the same question "How did God begin?” the theist would say that God does not need a creator, for he is his own cause, or that he has always existed, or that he is beyond our comprehension. And it is no use trying to counter-argue saying that we can use the same arguments replacing the word "God" with “universe ". The theistic mind requires a creator for the universe, whether you like it or not. However, there are other qualifications that are attached to this god-creator and are usually ascribed to God as a way to satisfy our psychological needs (i.e. goodness and/or omniscience and/or omnipotence, and/or perfection, among others). But, from the finding that this is not absolutely necessary to create the universe, comes the “Jocaxian Little Blue Devil" argument.
If you say that God created the universe, I MAY EQUALLY SUPPOSE that it was not God who created it, but the "Little Blue Devil". But this little devil is not as almighty as God, he does not have God’s omniscience, he is not as good as God, not as perfect as God and, in order to create the universe, he ended up dying due to the amount of effort he made.

My little devil, being much less complex than your God-Almighty, should be PREFERABLE in “Occam’s razor” terms to God! Therefore, before evoking God as the creator of the universe, you should evoke the “Jocaxian Little Blue Devil”. Otherwise, you would be acting illogically by adding unnecessary assumptions to the 'creator of the Universe'.
Comment: there is no need for a creator with all the features of a “God” to create the universe. It would be enough having power to create it. Thus, the affirmation that says that a "God" is needed so the universe can exist lacks rationale.

2 - Proof: Contradiction to the FACTS [Epicurus / Hume]

If God is Good, then God does not want unnecessary suffering.
If God is powerful, then God can do anything.
Logic: If God can do anything and does not want suffering, he can prevent suffering.
Fact: 40 million children died recently drowned by a tsunami (death with suffering).
Conclusion: The hypothesis (good and powerful God) cannot be true, once it contradicts the observed fact.
Comment: Some may argue that the suffering was necessary because some people needed to "learn". It is possible to counter-argue that by asking what the children learned by drowning. It is possible to counter-argue against the "original sin" by asking if it is fair that the innocent pay for the guilty. But that would not necessary, once a good and almighty God could teach anybody anything without having to sacrifice innocent lives with tragic deaths. If God had to sacrifice so many lives, it means he is not powerful enough or not good (in the human sense of the term). It seems that the original argument refers to Epicurus, though its formalization is from Hume.

3 - Proof: internal contradiction (inconsistency) [Sartre (?)]:

God is OMNISCIENT, therefore he knows everything that happened and will happen.

God gave men freedom; therefore men are free to choose.

Contradiction: If God knows everything that men will choose (factual knowledge) it means that men have NO freedom of choice. (Everything was planned in God’s mind and men could not change it).

Follow the demonstration [by Jocax]:

Suppose the existence of God Almighty. Then, it logically follows that:

1- God is omniscient.
2- Being Omniscient, God knows EVERYTHING that will happen.
3- Knowing EVERYTHING that will happen, he knows everything you will do and choose, even before you existed.
4- If God knows everything you will do and choose, you cannot do anything different from God’s prediction.
5- Since you cannot do anything different from the divine prediction, you must necessarily and mandatorily follow it.
6- If you are obliged to follow God’s prediction, it is impossible for you to choose or do anything different from it.
7-If it is impossible for you to choose or do anything different from the divine prediction, you do not have free will!

As we wanted to demonstrate.
Comment: before a man is born, even before he gets married or does any kind of choice, his fate would already be planned in God’s omniscient mind. So, nothing the man could choose would be different from the path already laid down by God. Thus, the so-called "Free Will" would be nothing more than an illusion. This means that either the man is not free to choose, or God is not omniscient. This is one of the most striking logical evidence against the existence of God.


4-Argument: By the Occam’s Razor [Jocax (?)]

-There is no evidence that God exists.

- The set {Universe + God} is more complex than the set {Universe}.

By the Occam’s razor, we should discard the first hypothesis of a universe with God in favor of the second, which is very simple, once it requires at least one hypothesis less.

Comment: We can make a metaphor of this argumentation through the "Nail Factory" argument:
First, we must agree that if we had to choose between two hypotheses for the origin of everything, we would have to stick with the more likely one. And if we wanted a more scientific explanation, we should stay with one of several physical theories about the origin of the universe, like the one that says that the universe emerged from the quantum vacuum: the particles would have been created from a "quantum fluctuation of vacuum”. This is only a theory, which cannot be proved, but it is much more reasonable than the premise that there was a HUGE Nail factory (God) that made all the nails, but no one dares to ask about its origin.
The idea of comparing God to a "nail factory” is described below:

There is evidence of "nails" (elementary particles). Someone says that there must be a creator for these nails, and proposes that there must be a huge and complex "Nail Factory" (God). But this is NONSENSE. Besides the fact that there is no evidence on the Nail Factory existence, it would be FAR more complex than the nails found. So, by the Occam's Razor, it is much more logical to assume that the nails have always existed than that the great "Nail Factory" has always existed and is hidden somewhere that can only be known after death.


5 - Argument: God, if he existed, would be a ROBOT [By Andre Sanchez & Jocax]:

- God is omniscient, omnipotent and knows everything that happened and will happen.
- He also knows * all * of his OWN future actions.
- It means he should follow all his already planned actions, without being able to change them, exactly as a robot follows its programming.

Conclusion: God, if he existed, would not have free will. It would be a robot, a kind of automaton that must forever follow his programming (his own prediction) without being able to change it.

Comment: God's omniscience would lead himself to a tedious prison from which nothing could go out even if he felt like doing it. He would be stuck in his own cruel omniscience.

6 - Proof: If God existed, there would be no imperfection [unknown author ]:

If God existed and was perfect, everything that he created would be perfect.
Mankind, being his creation, should also have been created perfect.
But how could a being created perfect be corrupted and become imperfect?
If mankind was corrupted, it was not perfect, it was corruptible!

Conclusion: God could not be perfect, once he generated something imperfect.

Comment: A perfect being wants perfection, and even if God had created men with free will - we have demonstrated above it is an illusion -; if men were perfect, they would have made perfect choices and would not be corrupted.


7 - Argument: Origin of God [unknown author]:

The argumentation of the intelligent design according to which the complexity of nature requires an intelligent creator collapses when no one offers any explanation about the origin of God. Once again according to the intelligent design argument, God, as an extremely complex and intelligent being would need to have an intelligent creator, who would be the "God of God": the creator of God. This “Creator of God ", once he is smarter than God, accordingly to the same argument, should also have an extremely intelligent creator: “God of God of God ". And so on, ad infinitum. It is possible to see that the argument that something complex needs a more complex being to be created is NONSENSE.

Comment: the Intelligent Design is largely used nowadays to teach religion courses in some Brazilian and American states, as if it was science.

8-Proof: The universe could not be created. [by Jocax]

Suppose God exists. If he had an infinite intelligence, he would not need to spend time deciding something or processing information. Thus, he would not spend any time deciding to create the universe. That is, the Universe would have to be created in the very moment God was created. If God was never created, then the universe could never have been created as well.
Comment: If there is movement, there is time. If there was no time, nothing could have moved.

9- Proof: God cannot be perfect. [unknown author]

If God was perfect, he would not have any needs; he would be self enough. However, if he decided to create the universe, it happened because he had a need for this creation, therefore he was not self enough, he was imperfect.

10- Proof: If God existed, he could not be perfect. [Jocax]

Many believers take physical laws and their “magical” constants as evidence of the divine wisdom once it is supposed that a little alteration in them would cause the universe to collapse and be destroyed.
However, they forget THESE laws, specially the second law of thermodynamics, provide the inexorable, slow and agonizing collapse of our universe, showing that there has been a SERIOUS FLAW in its conception, what would make it unfeasible in the long run.
Comment: the second law of thermodynamics is known as the law that says that the entropy in a closed system is never reduced. We can consider the whole universe as a closed system once nothing enters or leaves it.

11 – Proof: If God existed, he could not be good. [?]

God, hypothetically omniscient and omnipotent knew everything that would happen BEFORE he decided to create the universe. He knew everyone that would be born and what each person would “choose” for his/her life. He even knew that a huge TSUNAMI would come and drown 40 thousand children. If he had the power to make the universe slightly different, maybe he could have prevented this tragedy. But, knowing EVERYTHING that would happen in the future, knowing all deaths, all the disasters and calamities, God put his plan into practice and started watching from the front row seat. This is not worthy of a generous being.

12-Proof: by the universe definition, God could not have created it. [Jocax (?)]

noun
•everything that exists, especially all physical matter, including all the stars, planets, galaxies, etc. in space
So, the universe can be defined as the setting of all that exists. Therefore, if God existed, he could not have created the universe, as he would be a part of it!
Comment: The believer could then only set God as the creator of matter/energy and not of the universe itself.

13- Proof: by the current laws of Physics, it would be impossible for God could to exist [unknown author]

Quantum mechanics has a fundamental law called “Uncertainty Principle”. According to this law, it is IMPOSSIBLE, regardless of technology, to know the exact position and speed of a particle. That means that physically it is impossible that a “Omniscient God” exists, once he would know the exact position and speed of a particle and that would violate a fundamental pillar of modern science.

14 – Proof: If God existed, he would be sadistic and selfish [Renato W. Lima (?)]

It is intended to show that God needs to create an imperfect world; otherwise the world would be himself. It would be possible to argue that creating a clone of himself would be better than creating an imperfect world to, sadistically, watch it suffer. However, knowing that the world is not perfect does not imply that one must refuse assistance when necessary, as long as there is enough power for that and one does not desire that evil happens. If God had really created imperfect beings like us and different from him, he would be selfish, as he wanted to be the only perfect being and owner of power. And selfishness is definitely not a good thing.

15 – Argument: Igor’s Theorem [Igor Silva (?)]

If we had to choose one of the options below, which one would be more likely or easier to happen?

1. A dead person resurrecting and ascending to heaven (without rockets) or
2. Someone writing lies in a piece of paper or book and people believing in it?
3. Someone who has performed miracles that go against the laws of Physics or
4. Someone writing lies in a piece of paper or book and people believing in it?
5. A totipotent being (God) existing and creating the universe or
6. Someone writing lies in a piece of paper or book and people believing in it?

Comment: This text is a simplication of Hume’s argument:
[…] “No testimony is sufficient to establish a miracle, unless the testimony be of such a kind, that its falsehood would be more miraculous than the fact which it endeavors to establish” David Hume «Of Miracles» (1748)

16- Argument: By the Kalam’s Theorem [unknown]

The Kalam’s theorem claims that nothing can be extended in an infinite past time because if there was an infinite time in past, it would take an infinite time since this past until our present. So, an infinite time means never. That way, we would never have our present. But this is an absurd once we are in the present. Similarly, if there was a God whose existence extended until an infinite time in past, we would never have this present. Therefore it is not possible for a God that exists in an infinite time in past to exist.

17 – Argument: For the unnecessity of a Cause [Jocax]

The origin of the universe and its laws can be satisfactorily explained through the Jocaxian-Nothingness (JN). The JN explains in a logical way that the cosmos could emerge from the Jocaxian-Nothingness, once this Nothingness would not have laws that restricted whatever. Thus, due to the lack of laws, events could happen. That eliminates the necessity of a conscious creator like God to explain our cosmos.


Portuguese Version: http://www.genismo.com/religiaotexto32.htm

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Teoremas Jocaxianos

Teoremas Jocaxianos
Por: Jocax

Teoremas Jocaxianos
João Carlos Holland de Barcellos

Teorema Jocaxiano da Primeira Causa (TJPC)
O Teorema Jocaxiano da Primeira Causa estabelece que:
A primeira causa de todos os eventos que aconteceram num sistema fechado (que não sofre influência de eventos externos ao sistema) é o aleatório.
Prova:
Vamos utilizar o conceito de tempo no qual tempo é definido como uma relação entre eventos. E um evento é uma mudança de estado do sistema. O tempo, portanto, não é algo independente do que acontece. Se, por exemplo, nenhum evento acontece, isto é, o estado do sistema fica inalterado, então o tempo também deixa de existir. Para haver tempo é, portanto, necessário mudança. Se não há mudança, não há tempo.
Aleatório é a palavra que se utiliza para dizer que há imprevisibilidade ou que não há causas. Existem dois tipos de aleatoriedade: a aleatoriedade objetiva e a aleatoriedade subjetiva. A aleatoriedade subjetiva é aquela em que as causas do fenômeno existem, mas não são conhecidas ou não podemos determiná-las. A aleatoriedade objetiva, que é utilizada aqui neste texto, é a aleatoriedade em que o fenômeno ocorre sem causas reais, as causas não existem.
O aleatório objetivo existe na natureza, em nosso universo, e, como exemplo de fenômeno aleatório objetivo, nós podemos citar o momento do decaimento de um elétron num átomo: o elétron pode cair de uma órbita mais energética para uma de menor energia liberando um fóton. Tal fenômeno não é regulado por nenhuma lei física, é considerado pela mecânica quântica como um fenômeno objetivamente aleatório. Não há nada, nem nenhuma regra, que possa determinar quando o elétron irá decair de sua órbita. Outro exemplo seria a criação e a destruição das partículas virtuais no vácuo.
Mas, para demonstrar o teorema, primeiramente, vamos provar que não existe tempo infinito no passado, isto é, não podemos levar as causas dos eventos para o infinito passado e assim dizer que sempre houve uma causa que precedeu um dado efeito. Para isso, vamos utilizar o Teorema de Kalam [1].
O Teorema de Kalam estabelece que não existe um tempo infinito no passado. Isso acontece porque, se, por absurdo, houvesse algum evento que tivesse ocorrido num tempo infinito no passado, então nosso presente atual demoraria um tempo infinito para chegar partindo-se daquele passado. Mas o que significa um tempo infinito para ocorrer? Um tempo infinito para algo acontecer significa que nunca acontecerá. Assim, eventos que ocorreram a um tempo infinito no passado implicariam que não poderíamos ter o nosso presente, mas isso é absurdo pois o presente existe, já que estamos nele! Então podemos concluir que não existiu nenhum acontecimento em um tempo infinito no passado, e isso significa que podemos deduzir mais um corolário importante: o tempo teve, necessariamente, de ter um início.
Como não existe um tempo infinito no passado, e o tempo teve que ter um início, segue que o primeiro evento que ocorreu foi um evento sem uma causa anterior, isto é, um evento aleatório. E o teorema está demonstrado.

Teorema Jocaxiano do Vazamento do Tempo (TJVT)
O Teorema Jocaxiano do vazamento do Tempo estabelece que:
Se dois sistemas não estão isolados entre si, e se num deles existe tempo, então no outro também haverá tempo.
Prova:
O Tempo é o relacionamento entre eventos. Se em um dos sistemas ocorre o tempo e eles não estão isolados entre si, então estes eventos podem ser correlacionados também a partir do outro sistema. Portanto, o primeiro sistema, em que há tempo, pode servir de marcador temporal para o segundo sistema. Portanto, no segundo sistema haverá tempo também.
Podemos utilizar estes dois teoremas para argumentar contra a existência de Deus:
Deus não pode ser atemporal, pois violaria o teorema jocaxiano do vazamento do tempo: Se em nosso universo ocorre o tempo, e como o nosso universo não está isolado de Deus, segue que o tempo também ocorre pra Deus. Além disso, pelo TJPC não há necessidade de Deus para gerar o primeiro fenômeno, e isto refuta o argumento de Santo Tomás de Aquino segundo o qual o movimento exige um primeiro motor que seria Deus. Além disso, refuta também a idéia de um Deus eternamente existente, pois isso entraria em contradição com o corolário do início do tempo.



O Teorema da Existência

Vamos provar que existe uma realidade última, realidade esta que não depende de nenhuma interpretação, de algum ser, para a sua existência.
Neste texto, definiremos realidade –existência real- por eventos e/ou fatos que não dependam de uma interpretação (= pensamento, ou imaginação, ou sonho, ou processamento) de algum ser para que existam.
Demonstração
Iniciaremos nossa prova com “algo1”, que pode ser qualquer objeto sendo observado, como, por exemplo, uma maçã, ou até mesmo o próprio pensamento: a consciência.
Eu observo algo1.

Se este algo1 observado é a realidade, a prova termina.
Se Não:
Este algo1 é apenas uma interpretação (ou imaginação) de um ser1, e na verdade, não teria existência na realidade. Mas esta interpretação *em si mesma* do algo1, feito pelo suposto ser1, também é algo2.
Se este algo2 é realidade, então nossa prova termina.
Se Não:
Algo2 é apenas a interpretação, de um ser2, cuja interpretação, em si mesma, é algo3.
Se algo3 existe como realidade, a prova termina.
Se Não:
Este algo3 é apenas uma interpretação, de um ser3, que chamaremos de algo4.
Assim, de forma genérica, teremos:
Se algo(i) existe como realidade, a prova termina.
Se não:
Algo(i) é apenas uma interpretação, (ou "imaginação"), de um ser (i), cuja interpretação, em si mesma, nós chamaremos de algo(i+1).
Se algo(i+1) existe na realidade a prova termina.
E assim sucessivamente, de modo que SE nunca a interpretação corresponder a uma existência real, teremos uma recursão infinita, o que seria ilógico. Seria algo como um sonho de um sonho de um sonho de um sonho... Infinitamente. Então, para que não tenhamos este ciclo infinito, teremos que ter, em algum ponto, um fim nesta recursão. Isto significa que algum dos “algo (i)” tenha uma existência real, isto é, não seja ele próprio uma interpretação. E provamos nosso teorema: “Penso, logo, algo existe!”


Exemplos:
Por exemplo: eu vejo um corvo vermelho, o "corvo vermelho" pode ser real, se não for, a minha "interpretação do corvo vermelho" pode ser real. Se não for assim, um ser pode estar imaginando, (ou sonhando), que “eu” estou imaginando que vejo um "corvo vermelho" etc..
Outro exemplo seria um universo virtual: Existem seres que não existem de forma real, estão sendo simulados em um computador. Estes seres observam algo. O que observam também não existe: é virtual. Os próprios seres e seus sonhos também não existem: são virtuais. E assim, suas interpretações também não existiriam.
Mas o computador que os interpreta, neste exemplo, seria real, e a sua "imaginação" (= seu processamento) seria real, pois é o que gera o universo virtual, os seres virtuais e suas imaginações. Ou seja:
O que o ser virtual observa não é real, é uma simulação do computador.
O ser virtual também não é real, é simulado, depende do processamento do computador.
A interpretação do ser virtual, também não é real, pois depende do processamento do computador.
A interpretação do computador (=seu processamento) que produz o ser virtual e o que ele imagina, neste exemplo, seria real.
Refutando Descartes
Isto quer dizer que o "Penso, logo existo" (“Cogito, ergo sum”), de Descartes, pode não ser verdadeiro, pois, o ser que pensa, como mostramos no exemplo acima, pode não ser real. Mas, como já provamos, deve haver algum nível de interpretação na qual, no mínimo, a própria interpretação é real.
Pela “navalha de ocam”, enquanto não houver evidências em contrário, deveremos ficar com o menor nível interpretativo como sendo a realidade: Se eu observo algo1, este algo1 deve existir.
Corolário: Existe um ser real.
Como corolário do teorema, podemos também afirmar que, se observo algo, deve existir algum “ser” que tenha existência real, isto é, que ele próprio não seja uma interpretação.
Prova:
Como provamos que existe uma interpretação que é real, isto é, uma interpretação que não depende da interpretação de outro ser para existir, então este ser que faz esta interpretação deve existir também, pois, se este “ser” que faz a interpretação real, não existisse, isto é, fosse ele mesmo a interpretação de outro ser, então sua interpretação também não seria real, pois ela dependeria deste outro ser. Portanto, é necessária a existência de um ser real para haver uma interpretação real.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Revolucao no Direito

Revolução no Direito
Joao Carlos Holland de Barcellos

A Meta-Ética-Científica (MEC) advoga que as ações mais justas, ou mais eticamente corretas e justas, são aquelas que fornecem a maior felicidade no máximo período de tempo em que esta felicidade puder ser avaliada.

Outrossim, sabemos que o papel das instituições de justiça, isto é, o objetivo das pessoas que trabalham com a justiça, como advogados, promotores e juízes, em suma, o judiciário, é fazer com que a justiça seja feita: que todos os fatos possam ser apurados para que o julgamento possa ser o mais justo possível. Se os fatos e as evidências não puderem, por alguma razão, vir à tona para serem analisadas e julgadas, a justiça poderá errar.

Entretanto, para que os fatos sejam apurados com rigor, é necessário que a verdade seja exposta. A verdade seria composta pelo conjunto de fatos e evidências que são relevantes para o caso que será julgado.

Sabemos, contudo, que não há um comprometimento formal, nem legal, dos advogados em mostrar todas as evidências que venham a possuir quando do contacto com seus clientes, principalmente se estas evidências, ou fatos, vão contra o objetivo de seus clientes. Atualmente, não existe comprometimento formal para com a justiça que obrigue os advogados a mostrarem os fatos e as evidências que saibam, ou venham a saber, e que possam incriminar seus clientes, mesmo se estes fatos e evidências forem cruciais para a sentença judicial. Nenhum advogado vai ser responsabilizado criminalmente se omitir provas que poderiam incriminar seu cliente. Tal possibilidade existe e é, atualmente, amparada pela justiça: nenhum advogado pode ser incriminado por defender um réu de quem ele tem provas e sabe que poderiam incriminá-lo.

Este erro ético e judiciário, essa falha da justiça, precisa ser corrigida, pois além de impedir que a justiça possa obter todos os dados para um julgamento justo, promove a criminalidade, pois aumenta a possibilidade de que criminosos, por falta de evidências ou provas conscientemente omitidas, sejam condenados.

Se houver uma mudança nas leis, de forma a obrigar os advogados a expor todos os dados e evidências que ele conhece, mesmo que contra seus clientes, e desde que sejam relevantes ao julgamento, para que sejam apreciadas pelo jurado e pelo juiz, teremos um processo mais transparente, mais justo e também mais ético, já que por este princípio, é necessário que todos, principalmente os advogados de defesa, sejam obrigados a expor a verdade mesmo que essa verdade possa, eventualmente, ir contra seus clientes. Essa alteração na justiça também evitaria que os advogados trabalhassem contra sua índole de justiça, pois não seriam mais obrigados a defender a qualquer custo, mesmo com prejuízo moral e emocional, seus clientes criminosos. Dessa forma, os advogados, não sendo mais obrigados a, eventualmente, tornarem-se “semi-cúmplices” de seus clientes criminosos, ficariam em paz com suas consciências, saberiam que seu principal dever é com a justiça, e só depois dela, seus clientes.

Claro que, da mesma forma, a promotoria, o ministério público e a polícia, também teriam a obrigação legal de mostrar, caso tenham conhecimento, as evidências que poderiam inocentar o réu. Não é porque a função da promotoria seja incriminar o réu que ela poderia omitir provas e evidências que inocentem o réu. Não se trata de um jogo cujo objetivo é ganhar, e sim se fazer justiça, e nessa empreitada todos deveriam estar empenhados, inclusive a própria justiça, alterando as leis que forem necessárias visando este objetivo.

É uma proposta para que a verdade e a justiça voltem a prevalecer.

Economia Virtual

5. Economia Virtual

NEOCAPITALISMO OU NEOFEUDALISMO ( Pierre Weil )
Vivemos numa época muito curiosa e até intrigante. Algo está a nos deixar perplexos: à medida que se desenvolve o neo-capitalismo, a pobreza e a miséria aumenta. Isto se dá não somente nos países pobres, mas também nos do primeiro mundo.
As causas são bastante conhecidas desde os estudos de Marx. Há porém fatores mais recentes que vem ainda mais piorar o quadro: a explosão populacional, a automação, a informática, o "enxugamento" dos programas de racionalização do trabalho, estão a "jogar" milhões de seres humanos para a rua aumentando estupidamente o número de excluídos do processo sócio-econômico.
Com isto estamos voltando progressivamente à uma situação bastante parecida com a da época feudal, na qual tinha os senhores feudais com a sua corte e súditos que viviam numa situação financeira ótima ou razoável conforme o caso, e de outro lado a maioria do povo que padecia na miséria. O resultado era uma situação permanente de assaltos, violência, roubos, o que obrigava a classe dominante a se trancar dentro de castelos, cercados por um sistema de defesa constituído por um cinturão de água, e colossais muros. Para entrar, a famosa ponte levadiça.
Parece que estamos voltando para uma situação bastante parecida. Enquanto aumenta a pobreza e a miséria, através sobretudo do desemprego, aumentam os assaltos e, paralelamente as medidas de proteção; a única diferença com a época medieval, é que os sistemas de defesas foram modernizados. Em vez das altas paredes, temos as grades metálicas pontiagudas; no lugar da ponte elevadiça, temos o portão eletrônico; as torres de observação, foram substituídas por câmaras de televisão e os vigias que davam o alarme são agora representados por sistemas eletrônicos de alarme.
A história se repete, mas com diferenças referente à época. Os meios primitivos da era medieval foram substituídos por processos etnológicos sofisticados. Mas a situação e a sintomatologia são assustadoramente parecidos. Não será um dos sinais de alarme de que precisamos mudar de sistema econômico?”
Novas Idéias para Novos Tempos - Pierre Weil ”
O texto acima , extraído de ‘Novas Idéias Novos Tempos', de autoria de Pierre Weil, mostra que alguma coisa precisa ser feita. O objetivo deste ensaio é apresentar um esboço, uma idéia, que permitiria uma extensão do capitalismo – não ainda sua substituição - através de um sistema paralelo de aquisição de valores (o Mercado Virtual) que solucionaria o efeito autofágico do capitalismo: o Desemprego Estrutural.
Introdução
Robert Kurz , prestigiado sociólogo alemão, demonstrou que o capitalismo, tal qual o conhecemos hoje, é intrínseca e inexoravelmente autofágico, isto é, o capitalismo tende a se auto-destruir por minar, lenta e paulatinamente, a própria fonte de sua sobrevivência: os consumidores. Sem renda, não há consumidor, e sem consumidor não há mercado.
A lógica que demonstra a “ espiral autofágica suicida ”, proposta por Kurz, é deveras simples e elegante:
• Por visar o lucro o capitalismo procura reduzir todos os custos possíveis.
• A mão-de-obra é um dos principais itens dos custos de uma organização.
• Para reduzir custos, a mão-de-obra deve ser minimizada: seja através da automação/mecanização da mão-de-obra, seja através de técnicas modernas de gerenciamento e gestão que objetivam à redução do quadro de funcionários.
• A redução da folha de pagamentos patrocina um aumento do desemprego.
• O aumento do desemprego faz diminuir a renda média e o próprio mercado consumidor.
• Como o lucro das empresas depende do poder de compra do mercado (consumidores), com a retração do mercado a concorrência entre as empresas fica ainda mais acirrado.
• Com o aumento da concorrência, as organizações são pressionadas a reduzir ainda mais os custos e, entre estes, o custo de mão-de-obra.
Esta espiral antropofágica, no seu limite, culminaria com as organizações totalmente automatizadas onde um único funcionário, o presidente da empresa, apertaria o botão e toda a produção seria executada.
Só restaria uma pergunta: quem consumiria? Nesta situação hipotética e bizarra, os únicos compradores seriam os que ainda tem emprego: o presidente da VW compraria uma única geladeira, do Dono da GE, que, por sua vez, compraria um carro da VW.
Nas palavras de Robert Kurz:
“Uma economia global limitada a uma minoria sempre mais restrita é incapaz de sobreviver. Se a concorrência globalizada diminui cada vez mais o rendimento da produção industrial e assola numa proporção ascendente a economia das regiões, segue-se logicamente que o capital mundial minimize seu próprio raio de ação. Em longo prazo, o capital não poderá insistir na acumulação sobre uma base tão restrita, disperse por todo o mundo, do mesmo modo como não é possível dançar sobre uma tampinha de cerveja.” [1]
O setor de serviços também não passa incólume por esta lógica. Softwares cada vez mais inteligentes realizam em poucos minutos o serviço que, antes, demandava dezenas de pessoas trabalhando por muitos dias.
Poderíamos supor que, à medida que a tecnologia avança, novos postos de trabalho são criados para desenvolver e suportar tais tecnologias. Por exemplo, com o crescimento da indústria de computadores são necessários novos técnicos, analistas, programadores, digitadores etc. que antes não existiam. Mas estas tecnologias prosperaram num mercado capitalista simplesmente porque podem absorver, em contrapartida, muito mais funcionários do que os adicionais que tivessem de ser contratados por conta desta nova tecnologia. Caso contrário, este segmento não prosperaria.
Pode-se alegar, também, que novas tecnologias criam novos produtos e novos mercados que demandam novos postos de trabalho para produzí-los. Isso é verdade até certo ponto pois a tecnologia tende a automatizar de forma mais rápida, tornando a produção mais eficiente do que os eventuais postos de trabalho criados por ela. Além disso, quem seriam os consumidores dos novos produtos se não há renda suficiente para isso?
O que os governos tentam fazer para minimizar este trágico efeito do capitalismo – o desemprego – é adotar algumas medidas que, como veremos, são apenas paliativas :
• “Salário Desemprego”: pagamento periódico oferecido pelo governo aos desempregados. Minimiza o sofrimento, mas não resolve o problema pois, para compensar esta nova despesa, deve-se aumentar a carga tributária das empresas onerando o setor produtivo, fazendo com que os custos das empresas sejam ainda maiores. O salário desemprego não pode ser alto sob pena de provocar inflação, a menos que o país tenha excedente de moeda ( superávit ) através de exportações. Isso é equivalente a exportar o desemprego e pode funcionar em médio prazo ( ver neoliberalismo).
• “Neoliberalismo”: ideologia nefasta imposta por países detentores de tecnologia para quebrar barreiras protecionistas e poder ampliar seu cada vez mais restrito mercado consumidor. A adoção do neoliberalismo, ou alguma variante desta ideologia, por países em desenvolvimento, ou em vias de se desenvolver, patrocina a abertura de mercado e fornece uma sobrevida às empresas transnacionais, pois amplia seu mercado consumidor e, assim, os empregos em suas pátrias mães. Além disso, evita que surjam, nestes países, companhias que poderiam concorrer com elas nos mesmos mercados.
• “Protecionismo”: ideologia oposta ao Neoliberalismo que, através de medidas restritivas, como taxação de importações ou reserva de mercado, faz o papel de escudo ao comércio predatório. A idéia é reservar o mercado às empresas nacionais e, por conseqüência, o emprego local que elas mantém. Proteger as indústrias locais postergaria a crise capitalista de emprego na nação que a adota mas, em longo prazo, não a eliminaria pois, por mais fechado que seja a economia capitalista, ela ainda estaria sujeita ao seu ciclo autofágico, já que é inerente ao próprio sistema.
• “Megafusões”: a incorporação de empresas umas pelas outras, numa espécie de ‘canibalismo empresarial' reduz a concorrência entre elas e assim da alguma sobrevida às sobreviventes. Entretanto, tais incorporações são sempre seguidas de um enxugamento da folha de pagamento, aumentando a massa de desempregados e diminuindo o poder de consumo do mercado.
• “Controle de Natalidade”: impedir o nascimento de pessoas é uma forma indireta de fazer com que a taxa de desemprego não estoure junto com a fome, a criminalidade e o descontrole social ( subprodutos do capitalismo autofágico ). O controle de natalidade deve ser necessário quando os recursos naturais são escassos ( veja ), mas implementá-lo apenas para dar alguma sobrevida ao capitalismo é medida nefasta, mesmo porque é ilusório, já que a “lógica autofágica” permanecerá mesmo com o número de habitantes constante.
Na verdade, todas estas medidas são tomadas, em maior ou menor grau, pelos países do mundo capitalista como forma de dar mais fôlego às suas empresas e a seus empregos. Entretanto, sem uma solução definitiva, tais medidas não surtirão efeito em longo prazo, e a crise capitalista, sem uma solução estrutural, só fará com que agonizemos – via déficit de empregos e suas conseqüências- por ainda mais tempo.
A mudança para um regime comunista/marxista a princípio também não refresca, já que poda a liberdade, desestimula a criatividade e, por conseqüência, o desenvolvimento. O ideal seria continuarmos tendo as vantagens do capitalismo mas sem o problema intrínseco do desemprego estrutural. Como consegui-lo?
Irei propor o esboço de uma solução para a crise do desemprego na sociedade capitalista. Esta solução , que chamei por enquanto, de PósCapitalismo ou Mercado Virtual, ainda está em fase embrionária e precisará ser bastante lapidada até que tome uma forma final.
Antes de entrarmos propriamente no mérito da solução, vamos , através de uma pequena história, entender um pouco a função do dinheiro. Esta historinha, que meu pai contou quando eu era adolescente, serve como um exemplo ilustrativo bastante interessante:
Uma pequena História
Chega um forasteiro numa pequena cidade do interior e entra num pequeno hotel e diz ao balconista, que também era o dono do estabelecimento:
“- Oá!, Estou de passagem nesta cidade e precisaria de um quarto por três dias para acertar um negócio com um cliente. Quanto seria a estadia por estes três dias? “
O dono diz :
“-São apenas 50 reais, adiantados, por estes três dias. “
O forasteiro tira uma nota de 50 da carteira e fala:
“-Aqui está. Vou pegar minhas coisas que deixei lá na estação de trem, tomo um lanche por lá e volto em cerca de duas horas.”
Enquanto o forasteiro ia tomar um lanche e pegar suas malas na estação de trem, o dono do estabelecimento pensou : ‘agora já posso pagar os 50 reais que estava devendo ao açougueiro.' Ele foi ao açougue e pagou a conta. O açougueiro, por sua vez, recebeu a nota de 50 e pensou : ‘ah que bom! agora posso pagar os mantimentos que comprei na mercearia o mês passado !' Foi à mercearia e quitou a dívida. O dono da mercearia pensou :'agora posso, finalmente, devolver os 50 reais que tinha pegado emprestado do dono do hotel' . Foi ao hotel e pagou sua dívida com a mesma nota de 50 reais que tinha de lá saído. Nisso, o forasteiro retorna e diz :
“-Desculpa senhor, eu percebi que desembarquei na cidade errada e não vou ficar. O senhor poderia me devolver os 50 reais que paguei adiantado? “
O dono do Hotel, com a nota ainda na mão, devolve-a ao forasteiro e diz :
“-Claro ! O senhor foi bastante útil! Obrigado!”
O forasteiro , sem entender o que estava acontecendo, pega a sua nota, despede-se e parte.
É importante notar, nesta historinha, que dívidas foram saldadas, o comércio foi estimulado e problemas da cidade foram resolvidos apenas com o aparecimento deste forasteiro que deixou seus 50 reais por algumas horas e voltou com os mesmos 50 reais. Isto mostra que a principal função do dinheiro é facilitar a troca de valores e serviços. Nesta mesma história, poderíamos ter este dinheiro circulando não só para pagar dívidas, mas também como forma de promover a economia local. Por exemplo: o dono do hotel, ao receber os 50 reais do forasteiro, poderia ir ao açougue e comprar 50 reais de carne; o açougueiro, ao receber os 50 reais, poderia ir à mercearia e comprar 50 reais de mantimentos; o dono da mercearia reservaria um quarto no hotel para seus parentes o visitarem e, por fim, os 50 reais voltariam para seu dono original.
Mercado Virtual
No capitalismo, a massa de desempregados está em ascensão. E não estamos nos restringindo a um ou dois países, o desemprego é um problema estrutural que atinge, em maior ou menor grau, todos os países capitalistas. Se nada for feito, não será espanto se em 30 ou 40 anos tivermos mais pessoas desempregadas que na ativa.
Sabemos que esta massa de pessoas excluídas do sistema produtivo não parou de trabalhar por vontade própria, muitas, pais de família inclusive, foram vítimas do enxugamento empresarial e estão desesperados para voltar a trabalhar. Ou seja, existe um enorme potencial inativo de trabalho, potencial este que cada vez aumenta mais. Muitos destes desempregados poderiam formar ciclos de trocas de serviços e/ou valores, como na nossa historinha acima, sem que, na verdade, houvesse dinheiro envolvido, e assim poderiam voltar a trabalhar num sistema paralelo ao mercado capitalista tradicional.
A minha proposta pós-capitalista tem como meta aproveitar o potencial produtivo da massa de desempregados para movimentar uma economia paralela ao capitalismo sem contudo interferir diretamente neste último como as tentativas de soluções tradicionais apontadas acima, que, via de regra, geram inflação ou ineficiência e não resolvem o problema. Esta economia paralela movimentaria bens e serviços de forma que ninguém que quisesse trabalhar ficaria sem trabalho. Esta economia paralela, por não utilizar dinheiro real, não interferiria no mercado tradicional e, portanto, não geraria inflação.
Em muitos países, a massa desempregada é grande o suficiente para formar um “sub-país” dentro do país. Existem todos os tipos de trabalhadores, especializados e não especializados, prontos para serem úteis, especialmente uns aos outros. O problema dos excluídos do sistema capitalista é justamente este: organização . Se houvesse um sistema que pudesse fazer com que essa massa desempregada pudesse trocar bens e serviços entre si, como na nossa historinha acima, o problema do desemprego estaria resolvido. Atualmente, não existe uma forma de saber quem está desempregado ou quem pode oferecer um determinado serviço para outra pessoa que, porventura, precisasse deste serviço. E mais : como a troca de bens e serviços poderia ser feita sem dinheiro ?
Para simplificar as coisas, vamos tratar primeiramente do setor de serviços, onde a mercadoria não é um bem material mas sim um serviço, como um corte de cabelo, uma aula, um projeto etc. Também, para simplificar, vamos excluir deste segmento as pessoas empregadas e tratar apenas dos desempregados. Quero frisar que não é necessário que seja assim : haverá uma interface entre estas “duas economias”, que estudaremos posteriormente.
Antes de entrarmos em detalhes técnicos do projeto, vamos nos aprofundar em sua essência: um trabalhador é demitido e fica desempregado e ocioso. Ele tem certo grau de escolaridade, possui algumas habilidades especializadas e outras gerais. Algumas pessoas, que também estão desempregadas e sem dinheiro precisam de seus serviços. Por que este trabalhador deveria oferecer seus serviços se estas pessoas não têm como pagá-lo? E mais: como localizá-lo?
O trabalhador deveria oferecer seus serviços sem ganhar dinheiro, porque desta maneira ele também poderia receber os serviços de que ele necessita, igualmente sem ter de pagar um centavo!! Quem mais trabalhasse, e executasse mais serviços teria direito a receber mais serviços de outros. Então, de alguma maneira, as pessoas precisariam saber quem trabalhou mais , quem trabalhou menos e quem pode ou não receber serviços. Essa troca de serviços, sem movimentar nenhum capital, faria com que as pessoas continuassem trabalhando, fornecendo e recebendo serviços conforme sua necessidade. Mas como saber quem e quais serviços estão sendo oferecidos? Como saber quem tem direito a receber serviços? Como o veneno de cobra, que mata mas também cura, a mesma ferramenta que manda tantas pessoas para rua será a que fará sua reintegração no Mercado Virtual: o computador e a rede Internet.
O desempregado, primeiramente, faria o seu cadastro no “Cadastro Nacional de Desempregados” (CND) que seria um imenso banco de dados nacional com alguns dados do desempregado: como encontrá-lo, suas habilidades e preço de seus serviços. A troca de serviços se faria através do “Dinheiro Virtual” (DV). O ‘DV' seria um número, que indicaria o valor relativo a serviços prestados ou a bens oferecidos. Assim, o banco de dados também armazenaria o “Saldo Virtual” (SV) do trabalhador. Este SV corresponderia aos valores de todos seus serviços prestados, menos os serviços recebidos. Como uma conta bancária comum, se o SV fosse positivo, significaria que o usuário teria direito a receber serviços ou comprar bens, caso contrário, não. Por exemplo, eu dou uma aula particular e cobro “50 virtuais” por ela - ao contrário do real, o “virtual” (V$) é uma moeda que circula apenas no Mercado Virtual - então quem recebeu a aula seria debitado de V$ 50, e eu, que forneci o serviço, seria creditado em V$50 no meu Saldo Virtual.
Ou seja, embora continuassem oficialmente ‘desempregadas', as pessoas poderiam continuar a ser úteis para a sociedade realizando trabalho e recebendo serviços.
Algumas perguntas devem ser respondidas :
• Como deveriam ser criados os primeiros créditos?
Os primeiros ‘créditos virtuais', na área de serviços, deveriam ser fornecidos pelo Estado pelos serviços prestados pelo desempregado. Assim, os primeiros que entrassem no sistema de Mercado Virtual deveriam prestar serviços para o Estado, por exemplo, em hospitais , escolas ou estatais, a preço fixo, e receberiam destes os primeiros créditos virtuais. O governo também poderia fornecer ‘créditos virtuais' pela produção, estoque de plantações ou fábricas que não fossem assimiladas pelo mercado capitalista normal mas que tivessem alguma utilidade no mercado virtual.
• Como seriam vendidos/comprados os serviços com o Dinheiro Virtual?
Esse é um problema técnico que pode ser resolvido de várias maneiras. A que considero mais interessante seria através de um cartão magnético, que identificaria o usuário. O cartão seria utilizado junto com um aparelho, similar a um celular, que se conectaria ao Banco de Dados e faria o débito/crédito da transação. Outra forma seria através de papel moeda específico, emitido pelo governo e semelhante ao dinheiro normal , mas diferente deste e que poderia ser obtido nos bancos convertendo-se os créditos virtuais com o cartão magnético.
• Como ficaria o setor de bens, como, por exemplo, o da alimentação?
Este problema pode ser resolvido de diversas maneiras, uma delas permitiria que os produtores que não conseguissem colocar sua mercadoria ou produção no mercado capitalista poderiam vender seus produtos diretamente no mercado virtual, ou vendê-los para o governo que os trocaria por créditos virtuais. Posteriormente, o governo poderia colocá-los em supermercados ou armazéns específicos, que obviamente seriam construídos pelos empregados virtuais (ex-desempregados) para que os usuários do sistema pudessem adquiri-los. O estado poderia também receber os produtos em consignação e vendê-los nestes armazéns.
- Como os produtos ou trabalhadores poderiam ser localizados ?
Os produtos e os trabalhadores poderiam ser localizados através de um site de busca específico na Internet. Estes sites fariam a pesquisa no “Cadastro Nacional de Desempregados”, localizando os bairros ou regiões mais próximas. Estes terminais de busca deveriam estar disponíveis em quiosques específicos , em bancos ou estabelecimentos comerciais.
Conclusão
À medida que o capitalismo desemprega mais e mais pessoas, a adoção da economia virtual permitiria que a massa desempregada pudesse continuar produtiva sem onerar o governo ou a economia tradicional capitalista. Embora a qualidade dos produtos e serviços do mercado virtual, ao menos no inicio, pudesse ficar aquém do mercado tradicional ainda assim representaria uma solução ao problema do desemprego estrutural.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

The Destropic Principle

The Destropic Principle
By João Carlos Holland de Barcellos
Translated by Débora Policastro


Abstract: The “Destropic Principle” is an argument that establishes that every universe is equiprobable, and the possibility of life is not a more special feature than any other. This opposes to the “anthropic principle” when it is used to argue that there is a necessity for a divinity, or multiple universes, in order to explain the configuration of our universe, particularly, the capability of harboring life.

In order to explain life in our universe, I will refute the “anthropic principle” when it is used as an argument of the necessity of a deity or multiple universes. I had already outlined this argument in my previous article on the theme, The Anthropic Principle and The Jocaxian-Nothingness” [1], but now I intend to go a little deeper in the analysis.
It is not a very intuitive argument, and that is why we should use an analogy to understand the idea behind. But first, I will summarize the anthropic principle and how it is used by creationists and religious people in general to justify God:

Introduction
The physical laws, usually written in the form of mathematical equations, are considered to be responsible for the characteristics of the universe and its evolution in time. These laws, as we know today, are composed by equations in which we can see some numerical constants (parameters). As examples we can cite, among others: the speed of light, the mass of the electron, the electric charge of the proton, etc. [2]
It is argued, without demonstration, that a little alteration (it is not clear what would the magnitude of this alteration be) in any of these constants would make the possibility of life in the universe not feasible. Those who claim that also conclude that a universe created with physical laws generated at random would hardly be able to trigger life.
Handicap
In all fairness, we need to note that a universe with random laws does not need to follow the pattern of physical laws we have in our universe, that is, the mathematical equations that would define a randomly generated universe could be totally different from the ones we have in our current universe (in principle it would not even be necessary to describe such universes through mathematical equations). That way, the parameters we have today would not apply to any of the equations in this random universe. Thus, it is totally FALSE to claim that all possible universes can be described maintaining the same equations of our particular universe and varying only the constants present in them.
However, in order to refute the “anthropic principle” on its own support base, we should consider true the fact that all possible universes keep the same structure of equations as ours. We also assume that these equations are true, but knowing in advance that this is not true, since there is a theoretical incompatibility between the theory of relativity and the quantum mechanics. Besides that, we also suppose that any alteration in one of the fundamental constants would make the possibility of life impracticable, although no one has shown it yet.

An analogy
In order to understand the idea of the “Destropic Principle”, we will make an analogy with the real numbers of the equations which rule the several possible universes. Suppose that each of the possible universes can be represented by a real number between zero and ten. We can justify that by thinking that we can concatenate all the fundamental constants in a single numeric parameter.
In our analogy, the parameter “4,22341”, for example, would represent an U1 universe, which would be different from an U2 universe, represented by the parameter “6,123333...”, and so on. Thus, each of these numeric parameters would completely define the characteristics of the universe represented by them.
Suppose there is a machine that randomly generates real numbers between zero and ten. Each generated number would be the parameter that would define a universe. We can see that the possibility of predicting what number the machine will generate is very small, almost zero. However, the machine will certainly generate a number.
Suppose our universe is represented by U1 (“4,22341”). Then we can ask: what is the probability of the number of our universe being chosen, once there are infinite possible numbers? There are infinite real numbers between zero and ten, therefore it is almost impossible to foresee that the number “4,22341”, which is the parameter that defines the characteristics of our universe, will be chosen.
Thereby, when the machine generates a number representing a parameter of the universe, the answer to the question “How probable would the generation of a universe like ours be?” will be “As likely as the generation of any other specific universe”.

Equiprobable
In our model of random generation of universes all universes are equiprobable, since any real number between zero and ten would have the same probability of being generated. No universe is more likely to be generated than the other. So, whatever the number generated by the machine was, it would be as unlikely to be predicted as any other number. We then conclude that our universe is so likely to be generated as any other.

Life
However, someone could retort:
“-Our universe is the only one where the possibility of life exists”.
The possibility of life is a peculiarity of our universe. Any other generated universe would also have its specific peculiarities. For example: maybe one of them could be made of tiny colored crystal balls, the other could form elastic goos, others, perfect spheres, and so on. If, for example, the generated universe produced little blue crystal balls, then we could make the same exclamation:
“-Only this universe produces little glowing balls!”
Or:
“Only in this universe there is possibility of producing elastic goos!”
And so on. For us, humans, life can be more important than little glowing balls, or elastic goos, but this is only a human valuation. There is no logic reason to suppose that a universe with life is more important than a universe that produces little glowing crystal balls, or elastic goos.
Therefore, we cannot claim that our universe is special and unique, because it is as special and unique as any other universe that was generated at random. All universes would have their specific features, generated by their also unique physical constants.

Another Formality
In order to clarify this idea, we can redo our argument using another formality:
Suppose the universes are described by six fundamental constants (the exact number does not matter, the following reasoning is for any number of constants).
Thus, any U universe could be defined by a system of equations that uses six basic constants. We represent this dependence as follows:
U= U (A, B, C, D, E, F).
Our U1 universe in particular is described in that formality as:
U1= U (A1, B1, C1, D1, E1, F1)

Now, consider a U2 Universe with constants different from U1:
U2 = U (A2, B2, C2, D2, E2, F2)
As U1, by definition, contains the parameters of our universe, it will generate a universe that may harbor “life”, but cannot generate “lofe”. Similarly, U2 can generate “lofe”, but cannot generate “life”. “Lofe” is a random feature of U2, as the characteristic of being able to form a group of particles where the density is exactly 0,12221 (a random number), for example. Only U2 can generate “lofe”, and any change in the parameters would make the generation of “lofe” not feasible.
Of course, the same way, another universe, U3, with other constants
U3 = U (A3, B3, C3, D3, E3, F3)
would not make “life” feasible, nor “lofe”, but would make “lufe” viable.
“lufe” is a physical condition that occurs when the particles are subject to the regime of forces generated by the constants of U3 (A3…F3). Any change in one of these constants would make “lufe” not viable.

Note that there is no INTRINSIC importance about the universe generating “life”, “lofe”, or “lufe”. It does not make any difference to the generating machine or to the universe itself. Especially because the universe and the random machine do not have consciousness or desires. What differs to the machine is the value of the fundamental constants, not what they will generate or not. For the generating machine and even for the generated universe, it is irrelevant if it will be able to harbor life, “lofe”, “lufe”, or present any other peculiarity. Each universe has its own feature. If U1 allows “life”, it does not allow “lofe”, nor “lufe”; if U2 allows “lofe”, it does not allow “life” nor “lufe”; if U3 allows “lufe”, it does not allow “life”, nor “lofe”. It goes that way for any generated universe.

Thus, we can see that our universe does not have anything special, once nothing is intrinsically special. “Life” is as important as “Lofe” or “Lufe”. The universe is not worried if “lofe” generates consciousness or not, nor if “lufe” generates a cluster of an incredible yellow glow which would never exist in U1 or if “lofe” generates micro colored pyramids with their own indescribably beautiful glow. That matters to humans, little egocentric beings of U1 that care about “life”, maybe because they are alive.

Thereby, the probability of generating a universe that has “lufe” is equivalent to another one that has “life” or “lofe”. There is nothing miraculous or magical about our universe that makes it REALLY special. Therefore, there is no sense in saying that the probability of our universe being that way is the work of some deity. Whatever the generated universe was, its probability of having that feature is exactly the same as the probability of our universe being exactly as it is.

It is like choosing at random a real number between zero and ten. They are all equally probable and difficult to be chosen. None is more or less special than the others.

Portuguese version: http://www.genismo.com/logicatexto26.htm